Manáos ou Manaus, a Paris dos trópicos!

Dia 24 de outubro, foi o aniversário de Manaus. 347 anos de história, reviravoltas, contrastes e muita cultura. Talvez por nostalgia, não sei, resolvi que hoje vou fazer algo que já deveria ter feito há tempos, escrever sobre ela!

Por ter morado 12 anos em Manaus, tenho uma relação de afeto com a cidade. Tenho amigos queridos naquele lugar, parte de minha família ainda está lá e, meu marido é manauara. Motivos para voltar, sempre que posso, com certeza não me faltam!

Vamos ao que interessa?! Mas antes, saibam que a cidade tem um clima muito peculiar. Faz calor o ano inteiro, um calor úmido. Entre os meses de dezembro a maio, chove muito, o que ameniza um pouco. Já entre junho e novembro a chuva é escassa, sendo o mês de Agosto o mais quente e seco! Por isso coloquem roupa e calçado leve e confortável, chapéu, protetor solar, leve uma sombrinha e uma boa garrafa de água, por que andando é a melhor forma de conhecer o centro histórico e, pensando em tudo que temos para ver, resolvi que essa nossa viagem terá três partes. A parte histórica, a de contemplar a natureza e a das dicas de restaurantes e hotéis. Gostaram? Então bora lá !! 

Manaus, a capital do Amazonas, tem muitas histórias para contar e uma infinidade de pontos turísticos. Essa senhora de 347 anos, que tem como seu jardim a floresta amazônica, viveu sua ascensão na virada do século XIX para o século XX, durante o auge do Ciclo da Borracha. Foram anos de riqueza, traduzida em suas belíssimas construções centenárias, todas no melhor estilo europeu. Entre as modernidades trazidas pelos ingleses estavam os bondes elétricos, parques arborizados, ruas bem traçadas e cuidadas e, coisa rara para a época, um sistema de água encanada para as residências. Prova disso é o Reservatório do Mocó (Praça Chile, bairro Nossa Senhora das Graças), construído em estilo neo-renascentista e inaugurado em 1899 com o intuito de reforçar o abastecimento da cidade.

A estrutura de ferro que está no interior do prédio é de origem inglesa, constando em algumas peças a inscrição Dorman & Long, a mesma encontrada na Ponte Metálica Benjamim Constant (na Av. Sete de Setembro), outra importante obra de infraestrutura, inaugurada em 1895, para ligar o centro da cidade ao bairro da Cachoeirinha.

Mas um dos grandes legados do apogeu da borracha é, sem dúvida, o majestoso Teatro Amazonas, inaugurado em 1896 e que agora, em 2016, comemora 120 anos. Sua cúpula, com as cores da Bandeira brasileira, foi toda montada com peças trazidas de Paris. O prédio, tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), já passou por grandes reformas e uma minuciosa revitalização, sendo totalmente recuperado em sua grandeza. Suas manutenção e conservação são diárias. Parada obrigatória, o Teatro oferece visitação guiada no melhor estilo “Bélle Epóque”, levando o turista a caminhar por cerca de uma hora, por seus corredores, salões e camarins. Entre algumas curiosidades, está o calçamento no seu entorno, que foi feito de borracha, para que as carruagens ao passarem por ali não fizessem barulho e atrapalhassem os espetáculos, já que as janelas precisavam ficar abertas em função do calor. Em sua programação destaca-se o Festival de Ópera do Amazonas, criado em 1996, e que acontece nos meses de abril e maio, e o Festival Amazonas Jazz, nos meses de junho e julho. Durante o Festival de Ópera, todo o Largo vira um grande palco para as apresentações, é algo belíssimo!

Endereço: Rua 10 de Julho, no Largo de São Sebastião. Visitação: segunda a sábado, das 09h às 17h. Domingos: 09h às 17h, exceto quando acontecem eventos. Ingressos: 20,00. Estudantes, militares, professores, e os acima de 60 anos, pagam meia. Nascidos no Amazonas, com identidade, tem entrada gratuita. A visita acontece em três idiomas: português, espanhol e inglês.

E já que estamos no centro histórico, continuemos nossa andança por ali mesmo, no Largo de São Sebastião, um dos pontos mais visitados na cidade, tanto pelos turistas, quanto pelos moradores. Além dos lindos prédios, o Largo oferece um espaço amplo para shows e ótimos restaurantes, que espalham suas mesas pelas calçadas. Impossível passar por ali no fim de tarde e não ficar para curtir o happy hour. Bem no meio da praça veremos o Monumento da Abertura dos Portos, construído em mármore e que marca o início do comércio com outros países, além de Portugal. A calçada da praça, que faz alusão ao encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, inspirou o calçadão da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Do outro lado da rua, temos a Igreja de São Sebastião. A construção, de 1888, mistura os estilo gótico, neoclássico e um pouco de medieval. Seu interior é ricamente adornado com pinturas e afrescos, que retratam a agonia de São Sebastião entre outras passagens bíblicas. A fachada da igreja possui apenas um sineiro. O segundo jamais foi construído, deixando ao longo dos anos, as mais variadas interpretações para o caso! Suas portas estão sempre abertas, pode-se entrar, fotografar ou apenas ficar ali sentado, sentindo a paz e o silêncio. Desde sua fundação pertence aos Freis Capuchinhos, que moram no prédio anexo. 

Ainda no Largo de São Sebastião vocês encontram o Museu Casa Eduardo Ribeiro. O casarão restaurado foi a residência do visionário Governador Eduardo Ribeiro, responsável pela transformação de Manaus na “Paris dos Trópicos” durante o ciclo da borracha. O museu costuma realizar saraus musicais e literários. Fica na Rua José Clemente, 322. Visitação: de terça a sábado, das 09h às 17h, domingos, das 09h às 13h. Segundas: fechado. Entrada gratuita

Por trás do Teatro Amazonas, na Rua Eduardo Ribeiro encontramos o Palácio da Justiça. Até o ano de 2006 foi a sede do Poder Judiciário, quando passou a ser um Centro Cultural, promovendo desde então, diversos eventos e exposições. Sua construção iniciou em 1894 e sua inauguração aconteceu em 21 de abril de 1900. Mantém preservado o mobiliário antigo, todo feito no Rio de Janeiro. Visitação: terça a sexta, das 08h às 14h. Domingos, das 09h às 13h. Segundas e sábados não funciona. Entrada gratuita.

Logo ali, ao lado do Palácio da Justiça, vocês verão o Ideal Clube, fundado em 1903. Seus salões amplos, de pé direito altíssimo, abrigaram os melhores bailes de gala, carnaval e debutantes da sociedade manauara, do início do século XX. Tenho especial apreço por esse espaço, pois foi ali que realizei a festa de meu casamento!

Estão cansados, já? Espero que não, pois temos muitos lugares a serem visitados ainda, como o a Catedral Metropolitana de Manaus, da padroeira Nossa Senhora da Conceição, que teve sua fundação em 1858, sendo inaugurada em 1878. Seu campanário, com seis sinos foi importado de Portugal. Até hoje a igreja mantém uma posição de destaque na paisagem do centro da cidade, localizada sobre uma pequena elevação, em frente ao Porto e de frente para a onde a cidade começou sua expansão. Suas bela escadaria sugere o desenho de uma lira. No pequeno museu da Catedral pode-se ver a cadeira usada pelo então Papa João Paulo II, quando de sua visita à cidade, em 1980.  

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Bem em frente a Catedral está o Porto de Manaus. Inaugurado em 1907 é considerado o mais original do Brasil e o maior porto flutuante do mundo! Com sua ponte flutuante em forma de T, é conhecido como Roadway, denominação deixada pelos ingleses. A ponte tem aproximadamente 200 metros de comprimento e cerca de 20 metros de largura. Dali partem embarcações para várias cidades do interior do Amazonas, para outros estados e o resto do mundo, transportando pessoas e uma infinidade de produtos que movimentam a economia da região Norte. É comum também, ver atracados grandes transatlânticos, que trazem turistas para conhecerem as belezas da amazônia. Suba até o deck principal, sente em um dos bancos disponíveis e deixe-se envolver pelo leve banzeiro do rio, enquanto aprecia a paisagem. Uma das curiosidades é a marcação que mostra as cheias do rio, a principal sendo a de 1953, quando a parte baixa do centro da cidade ficou quase submersa.

Coladinho ao Porto, temos o Prédio da Alfandega, que faz parte do complexo portuário da cidade. Ambos construídos pela firma inglesa Manaos Harbour Limited, como parte do contrato de concessão e uso do porto. Também inaugurado em 1907 é considerado um dos primeiros prédios pré-fabricados do mundo. 

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Continuando nossa caminhada, passando pela Alfândega e subindo a Rua dos Barés, encontraremos outro prédio rico em histórias, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa. É um dos mais importantes exemplares da arquitetura, montado em ferro, não tendo similar em todo mundo. Sua construção teve início em 1880 e ficou a cargo da firma “Bakus & Brisbin”, de Belém, e os pavilhões de ferro, pela firma “Francisc Norton, Engineers, Liverpool”. Sobre o portão principal, está gravado o nome Adolpho Lisboa que na época da construção da fachada, era prefeito da cidade de Manaus. Foi inaugurado em 1883. Nos anos 2000 passou por uma profunda revitalização, voltando a ser aberto ao público em 2013. Encontramos de tudo no mercado desde peixes, frutas regionais e muito artesanato. Uma das tantas curiosidades do lugar é a Lei da “Hora da Creolina“, instituída em 1903, pela autoridade municipal. Em horários pré determinados, ao soar o sino, era obrigatório fazer a limpeza e desinfecção do lugar, já que se comercializavam carnes e peixes crus.

Saindo do Mercado e andando pela Av. Lourenço da Silva Braga, mais conhecida como Manaus Moderna, passaremos pela Usina Chaminé. O prédio, construído em 1910, pela empresa inglesa Manaos Improvments, era para ter sido a usina de tratamento de esgotos da cidade, mas em 1913, como o sistema ainda não funcionasse, a população revoltada contra as altas taxas cobradas, destruiu seu escritório. Com isso a Manaos Improvments deixa os serviços inacabados e vai embora. A usina nunca funcionou. A chaminé de 24 metros que lhe dá nome, está do lado direito do prédio. Hoje o espaço funciona como teatro e galeria de arte. Funcionamento: de terça a sexta, das 09h às 17h. Sábados e domingos, das 15h às 20h.

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Voltando ao centro da cidade, na Praça Heliodoro Balbi, temos o Palacete Provincial. Suas obras tiveram início em 1861, sendo inaugurado oficialmente em 1875. O prédio abrigou várias repartições públicas até se tornar o Comando da Polícia Militar. Depois de passar por uma grande obra de restauro, retorna ao público em 2009 e hoje é um espaço cultural, com museu, casa de restauro e uma exposição permanente que conta a história da cidade. Aproveite pra fazer uma selfie no coreto que fica em frente ao palacete! Funcionamento: de terça a sexta, das 09h às 14h. Sábados, das 09h às 13h. Domingos e segundas, fechado. Entrada gratuita

Nosso passeio está quase chegando ao fim! Saindo do Palacete Provincial, vamos para nossa última parada de hoje, o Parque Jefferson Péres e o Palácio Rio Negro. Mas para isso, é melhor ir de carro ou táxi, pois ficam mais distantes. Mas, se vocês estiverem dispostos a caminhar, é só atravessar a Av. Getúlio Vargas e acessar a Av. Sete de Setembro, em sentido ao bairro da cachoeirinha. É uma caminhada de mais ou menos 20 minutos até chegar ao Centro Cultural Palácio Rio Negro

Construído no início do Séc. XX para ser a residência do rico seringalista Waldemar Scholz, o casarão em estilo eclético, era chamado de Palacete Scholz. A partir de 1918, quando é adquirido pelo governo do Amazonas, passa a se chamar Palácio Rio Negro e se torna a residência dos governadores. Desde 1995 é um Centro Cultural. Funcionamento: de terça a sexta, das 08h às 14h. Sábados, das 09h às 13h. Domingos e segundas, fechado. Entrada gratuita

O Parque Senador Jefferson Péres, pode ser acessado tanto pela Av. Sete Setembro, por uma passagem ao lado do Palácio, como pela Manaus Moderna, aquela onde fica a Usina Chaminé! Com  uma área de quase 60 mil m² e mais de mil árvores plantadas, em sua maioria espécies nativas da região, o espaço foi criado com a intenção de resgatar a cultura dos manauaras pelas praças e espaços públicos. É ótimo para lazer e prática de esportes. Tem vários espelhos d´água e referências a época da borracha, entre outros atrativos. Funciona de segunda a domingo, das 05h às 22h30. Entrada gratuita.

Entre 1987 e 2012 o Governo do Estado do Amazonas juntamente com o IPHAN, tombou o Centro Histórico de Manaus, assegurando com isso a preservação destes e tantos outros prédios, que trazem em suas paredes a história da cidade.

Inclua ainda em sua lista o Atlético Rio Negro Clube, a Praça da Saudade e o Parque dos Bilhares. 

Bom, a primeira parte de nosso passeio termina por aqui. Mas em breve eu volto com mais!

Besos

*Neste post eu utilizei algumas fotos que retirei da internet: Museu Casa Eduardo Ribeiro e Palácio Rio Negro – Secretaria de Cultura do AM// Prédio da Alfândega – Portal Iphan// Ponte Benjamin Constant preto e branco – Manaus de Antigamente// Vista aérea do Porto – Gigantes do Mundo// Palácio da Justiça e Praça da Saudade – Portal A Crítica// Monumento de Abertura dos Portos e Palácio Rio Negro – O AM é Mais. **Para melhor embasar meu texto, do ponto de vista histórico, pesquisei os sites: Amazônia de A a Z, o da Secretaria de Cultura do AM e o Wikipidea. ***Além disso, todos os horários e dias de funcionamento das atrações foram checados, não se responsabilizando o Casa de Doda, por possíveis mudanças que os mesmos possam fazer.

Aproveite para pinar as imagens do Casa de Doda.  🙂


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